Quinta-feira, 5 de Abril de 2012

APRESENTAÇÃO DO LIVRO

FEITA POR OCASIÃO DO 10º ENCONTRO DP BATALHÃO

Nesta data de mais uma confraternização do Batalhão de Caçadores 4617/73, temos perante todos nós um livro da autoria do Senhor Coronel Luís Albino Castel-Branco Alves da Silva, que foi, como Major, o 2º Comandante do nosso Batalhão, com o sugestivo título "MEMÓRIAS DA DESCOLONIZAÇÃO EM ANGOLA", "MOMENTOS DE CONVERGÊNCIA". Foi com muito gosto que aceitei a incumbência de, neste nosso convívio de 2011, fazer a apresentação do livro em causa.

Começo por fazer uma breve resenha sobre a biografia do autor do livro.

Nasceu em Lisboa no dia 16 de Julho de 1938. Tendo enveredado pela carreira militar, licenciou-se em Ciências Militares (Arma de Artilharia) na Academia Militar (1957/1960).

No período compreendido entre 1961 e 1975, com os Postos de Alferes, Capitão e Major, realizou 4 Comissões de Serviço em África: 2 na Guiné, de 1961 a 1963 e de 1968 a 1970, e 2 em Angola, de 1965 a 1967 e de 1974 a 1975.

Foi Comandante da 3ª Companhia do Corpo de Alunos da Academia Militar e Instrutor de Táctica de Artilharia (1970/1971).

No Instituto de Altos Estudos Militares, tirou os Cursos Geral e Complementar de Estado-Maior (1971/1974). Tirou vários Cursos dos âmbitos de Organização, de Sistemas de Informação e da área Informática.

Esteve colocado no Comando-Geral da Guarda-fiscal de 1976 a 1982, onde desempenhou funções de Chefe de Repartição de Operações e de Chefe da Informática. Implementou no Aeroporto de Lisboa um Sistema Informático para o Controlo de Passageiros.

Foi Comandante do Grupo de Artilharia de Guarnição dos Açores (1984/1985). Foi promovido a Coronel em 1987. Nomeado para a frequência do Curso Superior de Comando e Direcção, mais conhecido, na altura, como o Curso de Promoção a Oficial General no Instituto de Altos Estudos Militares, no ano lectivo de 1990-1991, frequentou o curso apenas até Janeiro de 1991, por ter pedido a passagem à situação de Reforma Extraordinária Voluntária Antecipada, por razões de natureza familiar.

Durante a sua carreira militar, foram-lhe atribuídos 18 Louvores e 11 Medalhas.

Perante este tão brilhante currículo militar, temos de reconhecer que estamos na presença de um homem que, com total abnegação e espírito de sacrifício, dedicou grande parte da sua vida à causa que decidiu abraçar: a carreira militar.

O Senhor Coronel Alves da Silva, então Major Alves da Silva, tendo chegado a Luanda no dia 28 de Dezembro de 1974, chegou a Henrique Carvalho (Saurimo), cidade denominada de capital da Lunda, a 13 de Janeiro de 1975.

Como é sabido, foi substituir o nosso anterior 2º Comandante Major Maia Rebolho, o qual, por razões que para aqui não relevam, teve de regressar a Portugal.

Nessa altura, e na sequência da rotação que o Batalhão tivera (inicialmente teve a sua sede em Dala, onde se encontravam o Comando e a CCS, estando as três Companhias Operacionais em Cazage – a 1ª –, em Alto Chicapa – a 2ª – e em Chimbila – a 3ª), estavam o Comando, a CCS e a 3ª Companhia em Henrique Carvalho (Saurimo), a 1ª Companhia em Camaquenzo e a 2ª Companhia dividida por Lucapa e Cacolo.

Sabendo nós – os que estávamos em Henrique Carvalho (Saurimo) (eu, como Comandante da 3ª Companhia, encontrava-me lá) – que íamos ter um novo 2º Comandante, fomos procurando saber que tipo de pessoa seria.

Fomos, então, confrontados com a informação de que se tratava de um Major de Artilharia (facto que nos surpreendeu, pois que o nosso Batalhão era de Infantaria) que fazia parte do COPCON (Comando Operacional do Continente), Comando que, pelo que se ouvia dizer em Angola, tinha, por vezes, comportamentos pouco abonatórios no período revolucionário que se vivia em Portugal.

Só que as coisas, felizmente, nem sempre são aquilo que parecem.

Logo nos primeiros contactos que tive com o Senhor Major Alves da Silva verifiquei que estávamos perante um Oficial competentíssimo, muito bem preparado para a missão que ia desempenhar, tendo em conta o facto de, devido ao 25 de Abril de 1974, se ter encetado o período de descolonização, e com sentido de humanidade deslumbrante.

Vou aqui contar o seguinte episódio:

Na manhã do dia seguinte à sua chegada ao Batalhão, o Senhor Major Alves da Silva pediu-me para o acompanhar numa visita ao Quartel (a todas as suas instalações).

Em todos os locais por onde passava, fazia questão de conversar com os seus militares, cumprimentando-os com a mão, mostrando ser um homem de uma grande simplicidade e de uma grande amizade por todos aqueles com quem passaria a privar, chegando mesmo ao ponto de, na cozinha, perante praças que, tendo as mãos sujas devido ao trabalho de confecção da comida, procuravam esquivar-se a estender a mão para o cumprimentar, dizer-lhes que não se preocupassem, pois que, depois, lavaria a mão, cumprimentando-os, portanto.

Bastaram, assim, poucas horas para todos nós concluirmos que estávamos perante um grande Oficial do Exército, um excelente 2º Comandante e, acima de tudo, perante um grande Amigo dos seus subordinados, fossem eles Oficiais, Sargentos ou Praças.

Exemplo flagrante e sugestivo da sua grande amizade para com os soldados está no facto de, pouco tempo depois de ter chegado ao Batalhão, e perante a ausência de uma sala de convívio dos soldados, ter implementado a criação da sala que foi designada por "Sala do Soldado".

O livro que temos perante nós retrata precisamente o que foram, na zona onde estivemos, as tarefas de descolonização.

Foi um trabalho árduo, com muitos avanços e recuos, perante movimentos de libertação que nem sempre (direi melhor: raramente) se entendiam.

Quantas vezes, eu, que já tinha estado no Norte de Angola (Songo e Carmona, agora Uíge), como Alferes Miliciano, a fazer o estágio do Curso de Comandantes de Companhia, a que fui obrigado no cumprimento do serviço militar obrigatório, que tinha andado, em operações militares, pelas serras da Mucaba e do Uíge, cheguei a admitir que a fase da descolonização era bem mais difícil, designadamente no aspecto psicológico, do que o período vivido anteriormente em zonas perigosas da guerra colonial.

A verdade é que a actuação do nosso Batalhão foi coroada de êxito, como bem o demonstra o livro escrito pelo Senhor Coronel Alves da Silva.

A guerra entre os movimentos de libertação, que foi grassando pelas diversas cidades de Angola, só chegou a Henrique Carvalho (Saurimo) e a outros locais controlados pelo nosso Batalhão algum tempo após a nossa saída para Luanda, numa altura em que estava lá um Batalhão de Cavalaria que nos foi substituir, o qual foi formado em Portugal já no período post-25 de Abril 1974.

Para o assinalado êxito do nosso Batalhão foi preponderante a actuação firme, determinada e responsável do Senhor Coronel Alves da Silva, o qual, perante tantos conflitos entre elementos de diferentes movimentos de libertação, sempre os soube dirimir, procurando evitar um banho de sangue, com as consequências altamente nefastas, não só para o processo de descolonização em curso, mas essencialmente para a vida e o bem-estar das populações.

O livro retrata a actuação conjunta do Batalhão com os movimentos de libertação, quer através de um Estado-Maior Unificado do Distrito da Lunda, quer através de Patrulhas Militares Mistas e Rondas Urbanas, Militares e Policiais Mistas.

Acho que não devo falar mais sobre o conteúdo do livro.

Senhor Coronel Alves da Silva:

Apresento-lhe os meus Parabéns e os meus Agradecimentos pelo livro que em boa hora decidiu colocar no prelo, desejando ao meu Coronel, a sua Excelentíssima Mulher, Drª Maria Helena, aos vossos Filhos, Netos e Netas e a toda a restante Família muita Saúde e as maiores Felicidades, pois bem merecem.

Direi ainda – e para terminar – que o livro, além de constituir uma homenagem ao Batalhão de Caçadores 4617/73, pelo papel que, confrontado, em terras de Angola, com a ocorrência da denominada Revolução dos Cravos, desempenhou na fase da descolonização, constitui acima de tudo um contributo precioso para a História da Descolonização de Angola, certos que todos estamos de que a descolonização das então chamadas "Províncias Ultramarinas Portuguesas" nem sempre se pautou pela salvaguarda dos interesses das respectivas populações, independentemente da sua raça, pois, como bem dizia o Senhor Coronel Manuel Teodoro Ramos, Governador do Distrito da Lunda, em cartazes afixados por toda a cidade de Henrique de Carvalho (Saurimo), "SÓ HÁ DUAS RAÇAS: HOMENS E MULHERES".

 

ALMADA, 30 de Abril de 2011

Camilo Moreira Camilo

publicado por webmaster às 17:01
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